Como eu venci a Síndrome do Pânico

Como eu venci a Síndrome do Pânico

Poucas pessoas sabem, mas há alguns anos, o excesso de trabalho, a falta de rotinas para comer e dormir, o sedentarismo, a ideia equivocada de ser mais forte e pensar que comigo não aconteceria nada, me levou a maior batalha da minha vida. Eu estava muito doente, uma luta com algo que eu conhecia muito pouco, mas me tirava toda a paz e serenidade.

 

O medo de morrer fazia parte do meu dia a dia, sem explicação, sem avisos, apenas forte, implacável, destruidor, avassalador. Que sensação era essa que me consumia? O meu medo era de não conseguir respirar, a impressão que eu tinha era que meus pulmões estavam comprometidos, sem forças. Cada vez que eu subia uma escada e por mais leve que meu coração acelerava, a sensação de não conseguir respirar me dominava junto com o suor frio e o medo iminente da morte. Várias idas ao médico nas madrugadas, junto com a falta de ar, estava o medo de um infarto, eletros nas madrugadas e pneumologistas dizendo que meus pulmões estavam ótimos, essas informações não batiam com tudo que eu sentia. Mas aí a ficha caiu, eu estava lutando contra algo que eu desconhecia mas tinha um nome “Síndrome do Pânico”. Inimigo identificado.

 

A orientação da psicologa foi clara: Durma, coma corretamente, exercite-se, descanse, pare de querer agradar todo mundo e pare de achar bonito ser perfeccionista. Minhas lutas eram cansativas e acabavam comigo, o cérebro dizia que eu iria morrer e eu usava esse mesmo cérebro para dizer que eu não iria morrer. Batalhas que se estendiam por horas, dia após dia, eu me sentia exausto em uma briga injusta.

 

A psicologa mencionou: Vou te indicar um psiquiatra para que você possa tomar remédios. E naquele momento eu fiz uma escolha que parecia certa, mas exigiria muito mais de mim. Olhei para ela e disse: Não quero atacar a consequência, quero atacar as causas. Essa foi minha decisão. Voltei para casa, coloquei o joelho no chão, pedi perdão para Deus, por toda minha autossuficiência, por achar que eu era forte, independente, por achar que comigo nada aconteceria. Olhei para Deus e disse:

 

– Senhor me pegue em seu colo, não consigo controlar o meu cérebro, não consigo pensar coerentemente, choro escondido com medo de nunca mais retomar o controle da minha vida.

 

Senti a presença de Deus, mas entendi que começava ali uma grande batalha, Deus me ajudaria sim, mas eu teria que corrigir muitas coisas e Deus deixou claro. Isso é um laboratório em sua vida, vai levar um tempo, chegou a hora de ser o barro na mão do oleiro e ser apertado até virar um belo vaso. Aguente firme, Eu te guiarei.

 

Comprei todos os livros sobre o assunto que encontrei para entender os sintomas e como a Síndrome agia, o joelho foi dobrado constantemente, porque na hora das grandes lutas, homens que se acham fortes se curvam, eu escolhi me curvar diante de Deus do que ajoelhar diante dos problemas. Se era para ficar de joelhos, que fosse então diante do Senhor dos Senhores.

 

A atividade física, seria o primeiro passo, para equilibrar o sono, o descanso e deixar para trás o sedentarismo. Não lembro o dia da semana, peguei uma bicicleta que tinha em casa, enchi os pneus, fui até a catedral. Vi alguns ciclistas reunidos, de um grupo chamado Pedais da Liberdade, me aproximei e perguntei se podia acompanha-los durante aquele pedal que seria dentro da cidade. Naquele dia estavam ali o Marcos Campos o Naldo Ferreira, o Fernando que já faz um bom tempo que não vejo pedalando. Sai junto com eles e na primeira subida, na primeira subida maior, eles estavam um pouco a frente e eu estava ali atrás, em colapso, suando frio, com o coração acelerado, com toda falta de ar do mundo, quieto, subindo e orando e pedindo para Deus me dar forças.

 

Eles não sabiam, nem imaginavam o tamanho da luta que eu estava vivendo naquele momento. Um Davi sem ar contra um gigante desconhecido, mas um Davi rendido e entregue a um Deus que pode todas as coisas. Naquele dia eu venci, graças a Deus, aquela subida e nesses quase seis anos pedalando, esse mesmo Deus tem me guiado e me tirado dos vales e me colocado nos montes mais altos. Deus me curou, fez de mim um observador, cuidadoso que precisa se manter equilibrado.

 

Obrigado Deus, obrigado esposa amada que nos momentos mais delicados sempre esteve ao meu lado. Obrigado a todos que já pedalaram e pedalam comigo e nem sabiam o que estava acontecendo, e durou muito tempo as maiores batalhas, quase um ano. Mas estavam ali, do lado e isso já era muito.

 

Não tenho perfil de ciclista, não tenho estrutura de ciclista, mas tenho um Deus que ignora a aerodinâmica da abelha e faz ela voar muito.

 

Quando passar por mim em uma subida e acredite você passará, eu estarei sofrendo, sempre foi difícil, mas Deus colocou em mim essa coisa maluca que ele coloca em ciclistas, a vontade de superar-se, aguentar as adversidades e romper limites.

 

Não sei se posso dizer que sou um ciclista, mas com a bicicleta, Deus tem me proporcionado grandes experiências.

 

Deus é maravilhoso! Obrigado Senhor, Obrigado!



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